
É duro ser esforçado, trabalhador, um pensador nato (modéstia a parte). Passei o dia trabalhando sobre um negócio que dizem que funciona, mas não vi funcionar, e querem que eu faça funcionar...É, parece aquela história dos três tigres tristes...
De qualquer forma, eu estava trabalhando o dia todo sobre esse parodoxo da ciência da computação, fazendo meus esforços, movido a café e a muita força de vontade (porque a noite foi difícil), quando vi o relógio se aproximar das cinco da tarde.
Até aí tudo bem, esse é aquele horário que os seres afortunados por virem de ônibus abandonam o antro de destruição mental e retomam o rumo cretino que a vida lhes reserva ( o "cretino" foi só pra dar um toque poético, nada mais. )
Voltando, chegava as cinco horas da tarde, como não sou um ser afortunado e tenho que ir de carro mesmo, acabo ficando mais um pouquinho para poder dar continuidade no meu raciocínio. Racioncínio esse que deu certo. Estava ali, na boca do gol, quando percebo uma movimentação estranha ao meu redor. Tiro os fones de ouvido e a tia da faxina diz:
- Você vai ficar muito mais tempo aí?
Eu olhei ao meu redor, a tiazinha já tinha colocado todas as cadeiras, lixeiras e o que quer que estivesse no chão sobre as mesas. Eu até queria perguntar se ela era prima do Harry Potter, mas me contive.
Como eu vou saber quanto tempo eu vou ficar? Se eu falasse que seria mais uma hora, acho que enfartaria a tia...Então resolvi ser bonzinho, e disse:
- Ah, uns quinze minutos (com cara de quem está abrindo mão da solução de ouro).
Daí percebi que tinha outra tiazinha. Nesse momento descartei a idéia da prima do Harry Potter.
Elas se entreolharam (sabe quando você percebe que não gostaram do que você disse? Fica aquela silêncio como se tivessem peidado na mesa de jantar). Então, daí foi a vez da tiazinha fazer cara de concessão:
- Tá bom, você pode ficar mais quinze minutos aí.
Nesse momento eu só pude pensar em como o mundo é cheio de bondade, ainda existe alguém que concorda com o prazo que eu informei. :D
Voltei a me concentrar. Estava dando o máximo de mim, afinal tinha mais quinze preciosos minutos (vai me dizer que você não enrola quinze minutos de manhã quando o despertador toca. Quinze minutos são ou não são preciosos?).
Comecei a pensar com os meus botões por onde eu iria continuar, quando ouço uma conversa (na verdade eu estava de fones novamente, sem música, tem vezes que eu sou sacana e coloco os fones só para acharem que eu não estou ouvindo nada):
Tia 1: - Você acha que vai dar tempo de passar cera em tudo isso aqui?
Tia2: - Claro que não vai dar. Mas ela mandou que fosse assim.
Tia1: - É, não vai dar não.
Me senti pressionado nesse momento, era como se eu tivesse montando um castelo com umas quinhentas cartas e com apenas um arroto derrubaram tudo. Perdi o tesão.
Salvei minhas coisas, guardei tudo, coloquei a mochila nas costas. Quando estava saindo falei para as tias:
- Obrigado, hein. Boa noite!
É claro que o obrigado aqui pode ter dois sentidos:
1 - Obrigado por foderem com o meu trabalho e minha concentração.
2 - Obrigado de verdade e um desejo puro de uma boa noite.
Adoro poder me expressar! :D